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Vício em apostas e bets: sinais, riscos e como tratar

A facilidade de fazer uma aposta pelo celular mudou profundamente a relação de muitas pessoas com os jogos de azar.

Em poucos segundos, é possível apostar em uma partida de futebol, acompanhar resultados em tempo real e fazer uma nova aposta sem sequer sair de casa.

Para muitas pessoas, apostar permanece sendo uma atividade ocasional. Para outras, porém, a frequência aumenta, as perdas começam a se acumular e surge uma dificuldade cada vez maior de parar.

É nesse momento que o chamado vício em apostas, também conhecido como transtorno do jogo, jogo patológico, ludopatia ou compulsão por apostas, pode começar a comprometer a saúde mental, as finanças, o trabalho e os relacionamentos.

O problema é reconhecido internacionalmente como uma condição de saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 1,2% da população adulta mundial apresente transtorno do jogo.

Com a popularização das bets e das apostas online, reconhecer os primeiros sinais e procurar ajuda profissional pode fazer uma diferença importante na prevenção de prejuízos cada vez maiores.

Aviso importante: este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e educativo. Ele não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por psicólogos, psiquiatras ou outros profissionais de saúde.

O que é o vício em apostas?

O termo “vício em apostas” é bastante utilizado no dia a dia. Na área da saúde, entretanto, utiliza-se também a expressão transtorno do jogo.

Não se trata simplesmente de gostar de apostar ou fazer uma aposta ocasional.

O problema aparece quando existe uma perda progressiva de controle sobre o comportamento de jogar, fazendo com que as apostas passem a ocupar um espaço cada vez maior na rotina e continuem acontecendo apesar das consequências negativas.

Algumas características importantes incluem:

  • dificuldade para controlar a frequência, duração ou quantidade de dinheiro utilizada nas apostas;
  • prioridade cada vez maior dada ao jogo em relação a outras atividades e responsabilidades;
  • continuidade das apostas mesmo diante de prejuízos financeiros, emocionais, profissionais ou familiares.

Na prática, a pessoa pode perceber que está perdendo dinheiro, discutindo com familiares, comprometendo contas ou prejudicando o trabalho e, ainda assim, sentir uma forte dificuldade para interromper o comportamento.

Por isso, o transtorno do jogo não deve ser reduzido a uma simples questão de “força de vontade”.

Existem fatores psicológicos, comportamentais, sociais e ambientais envolvidos, e alguns casos necessitam de acompanhamento especializado.

Por que as bets podem favorecer um comportamento compulsivo?

As apostas existem há muito tempo. O que mudou significativamente nos últimos anos foi a facilidade de acesso.

Hoje, uma plataforma de apostas pode permanecer disponível 24 horas por dia dentro do celular.

Notificações, bônus, apostas em tempo real, promoções e a rapidez entre uma aposta e outra podem estimular maior permanência nas plataformas e repetição do comportamento.

Praticamente não existe mais distância entre pensar em apostar e realizar a aposta.

Com poucos toques na tela, o dinheiro pode ser depositado e utilizado.

Isso também pode dificultar a percepção de quanto tempo e dinheiro estão sendo gastos.

O ciclo de tentar recuperar o dinheiro perdido

Outro fator importante é a tentativa de recuperar prejuízos.

Depois de perder determinada quantia, algumas pessoas passam a acreditar que uma nova aposta poderá compensar a perda anterior.

Quando ocorre uma nova derrota, surge novamente a vontade de recuperar o dinheiro.

Pode começar, então, um ciclo como:

perda → tentativa de recuperação → nova aposta → nova perda → ansiedade e frustração → mais apostas.

Quanto mais esse comportamento se repete, mais difícil pode se tornar interrompê-lo.

Apostar muito significa necessariamente estar viciado?

Não.

A quantidade de apostas ou o valor utilizado, isoladamente, não determina um diagnóstico.

É preciso avaliar principalmente o controle que a pessoa possui sobre o comportamento e as consequências que as apostas estão provocando em sua vida.

Duas pessoas podem apostar quantias semelhantes e apresentar relações completamente diferentes com o jogo.

Em uma avaliação profissional, podem ser considerados aspectos como:

  • frequência das apostas;
  • dificuldade para reduzir ou parar;
  • preocupação constante com jogos e resultados;
  • tentativa de recuperar perdas;
  • prejuízo financeiro;
  • impactos familiares e profissionais;
  • sofrimento emocional;
  • alterações de comportamento;
  • presença de outros problemas de saúde mental.

Por isso, testes encontrados na internet podem até contribuir para uma reflexão inicial, mas não substituem uma avaliação individualizada realizada por um profissional.

12 sinais de alerta para o vício em apostas

Alguns comportamentos merecem atenção especial.

1. Pensar constantemente em apostas

A pessoa passa grande parte do dia pensando em jogos, resultados, probabilidades ou nas próximas oportunidades para apostar.

2. Gastar mais do que havia planejado

Ela define inicialmente um limite, mas frequentemente ultrapassa o valor.

3. Não conseguir diminuir ou parar

Pode prometer a si mesma ou à família que não apostará novamente, mas acaba retornando às plataformas.

4. Sentir irritação ou ansiedade quando não aposta

Ficar impossibilitado de apostar pode provocar inquietação, irritabilidade ou forte vontade de voltar ao jogo.

5. Aumentar progressivamente os valores

Quantias que antes pareciam suficientes deixam de produzir a mesma expectativa ou excitação e começam a aumentar.

6. Apostar para recuperar perdas anteriores

É um dos sinais mais importantes de comportamento problemático.

A pessoa perde dinheiro e imediatamente começa a pensar em como recuperá-lo através de outra aposta.

7. Esconder ou mentir sobre as apostas

Pode omitir valores gastos, esconder extratos ou minimizar a frequência com que joga.

8. Utilizar dinheiro destinado a despesas importantes

Recursos para aluguel, alimentação, contas, mensalidades ou outras necessidades começam a ser destinados às apostas.

9. Pedir dinheiro emprestado ou fazer dívidas para apostar

Cartão de crédito, empréstimos e dinheiro de familiares podem começar a ser utilizados para financiar o comportamento.

10. Perder interesse por outras atividades

Família, lazer, estudos, relacionamentos e trabalho podem perder espaço para as apostas.

11. Apostar para fugir de sentimentos desagradáveis

O jogo pode passar a ser utilizado como tentativa de aliviar ansiedade, tristeza, estresse, solidão, tédio ou frustração.

12. Continuar mesmo diante de consequências graves

Talvez este seja o sinal mais preocupante: saber que as apostas estão causando problemas e, ainda assim, não conseguir parar.

Além desses comportamentos, podem ocorrer mudanças no sono, alimentação e humor, sentimentos de culpa ou vergonha e aumento do consumo de álcool ou outras substâncias.

A presença isolada de um sinal não significa necessariamente que existe um transtorno.

Entretanto, quanto maior a perda de controle e os prejuízos causados pelas apostas, maior a importância de procurar uma avaliação profissional.

O perigo de tentar “recuperar o dinheiro perdido”

Uma das armadilhas mais comuns das apostas problemáticas é acreditar que continuar jogando é a solução para o prejuízo causado pelo próprio jogo.

A lógica costuma ser:

“Se eu ganhar a próxima, recupero tudo.”

O problema é que cada nova aposta envolve novamente a possibilidade de perda.

Depois de outro resultado negativo, a pessoa pode aumentar o valor apostado na esperança de recuperar o dinheiro mais rapidamente.

Em situações mais graves, começam a ser utilizados:

  • limites do cartão de crédito;
  • empréstimos;
  • cheque especial;
  • dinheiro reservado para despesas da casa;
  • recursos de familiares;
  • valores que originalmente seriam destinados a outras necessidades.

O prejuízo financeiro passa, então, a alimentar novas apostas.

É importante compreender que dinheiro perdido em apostas não deve ser encarado como uma dívida que precisa ser recuperada por meio de novas apostas.

Quando existe dificuldade para aceitar a perda e interromper esse ciclo, buscar ajuda profissional pode evitar consequências ainda maiores.

Vício em bets pode estar associado à ansiedade e à depressão?

Problemas relacionados às apostas podem aparecer junto a outros sofrimentos psicológicos.

Entre as condições e sintomas que podem coexistir estão:

  • ansiedade;
  • depressão;
  • alterações importantes do sono;
  • irritabilidade;
  • sentimento de culpa;
  • uso problemático de álcool ou outras substâncias;
  • dificuldades de controle dos impulsos.

Essa relação pode acontecer de diferentes maneiras.

Para algumas pessoas, ansiedade, tristeza, solidão ou outras dificuldades emocionais já estavam presentes e as apostas passam a ser utilizadas como uma tentativa de obter alívio momentâneo.

Em outros casos, são os próprios prejuízos provocados pelas apostas que desencadeiam ansiedade, alterações no sono, conflitos familiares, vergonha, culpa e sintomas depressivos.

As duas situações também podem acontecer simultaneamente.

Por isso, um tratamento adequado não deve observar somente a aposta.

É necessário compreender a pessoa, sua história, seus gatilhos, as consequências do comportamento e outras condições de saúde mental que possam estar presentes.

Por que algumas pessoas escondem o problema?

Vergonha e culpa são sentimentos frequentes em pessoas que enfrentam problemas relacionados às apostas.

Quando as perdas começam a crescer, algumas passam a esconder extratos, empréstimos, valores apostados e dívidas.

Também podem minimizar a situação dizendo:

“Foi só dessa vez.”

“Eu consigo parar quando quiser.”

“Na próxima eu recupero.”

“Depois que recuperar o dinheiro, eu paro.”

Existe ainda o receio de decepcionar familiares ou ser julgado.

Esses fatores podem atrasar bastante a procura por tratamento.

O acolhimento profissional deve acontecer de maneira respeitosa e sem julgamentos.

Reconhecer que existe um problema não significa fracasso. É um passo importante para impedir que seus impactos continuem aumentando.

Como funciona o tratamento para o vício em apostas?

O tratamento depende da intensidade do comportamento, das consequências produzidas e das necessidades de cada pessoa.

Não existe uma única abordagem indicada para todos os casos.

O acompanhamento pode envolver Psicologia, Psiquiatria e outras formas de suporte, especialmente quando existem dívidas, conflitos familiares ou outros transtornos de saúde mental associados.

O tratamento pode ter como objetivos:

  • compreender os gatilhos que levam às apostas;
  • interromper comportamentos compulsivos;
  • desenvolver novas formas de lidar com emoções difíceis;
  • modificar pensamentos relacionados ao jogo;
  • reduzir o acesso e a exposição às apostas;
  • reorganizar a rotina;
  • tratar condições associadas;
  • reconstruir relacionamentos;
  • trabalhar prevenção de recaídas.

O objetivo não é simplesmente mandar a pessoa “se controlar”.

É compreender por que o comportamento permanece acontecendo e desenvolver estratégias concretas para modificá-lo.

Como o psicólogo pode ajudar no vício em apostas?

A psicoterapia pode ter papel importante no tratamento dos problemas relacionados às apostas.

Durante o acompanhamento psicológico, é possível investigar quando, como e por que a pessoa sente vontade de apostar.

Entre os possíveis gatilhos estão:

  • ansiedade;
  • estresse;
  • tédio;
  • solidão;
  • dificuldades financeiras;
  • problemas familiares;
  • consumo de álcool;
  • eventos esportivos;
  • publicidade;
  • promoções das plataformas;
  • disponibilidade constante das apostas pelo celular.

A psicoterapia também pode trabalhar pensamentos que ajudam a manter o ciclo.

Um exemplo é acreditar que, depois de várias perdas, uma vitória necessariamente estaria “mais próxima”.

Outro é imaginar que determinada estratégia permitirá recuperar rapidamente todo o dinheiro perdido.

Terapia Cognitivo-Comportamental e apostas

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) está entre as abordagens psicológicas recomendadas para problemas relacionados às apostas.

Ela pode ajudar a pessoa a reconhecer pensamentos e comportamentos associados ao jogo e desenvolver maneiras mais saudáveis de reagir aos gatilhos.

Estratégias de prevenção de recaídas também são importantes, porque ajudam o paciente a identificar situações de risco e planejar como agir quando a vontade de apostar aparecer novamente.

A entrevista motivacional pode ser utilizada em determinadas situações, principalmente quando a pessoa ainda apresenta dúvidas ou resistência em relação à necessidade de mudança.

Se você quer entender melhor como funciona o acompanhamento psicológico e quando procurar um psicólogo, veja também nosso conteúdo completo sobre o assunto.

Quando procurar um psiquiatra por causa das apostas?

O acompanhamento psiquiátrico pode ser especialmente importante quando o comportamento relacionado às apostas aparece acompanhado de sofrimento emocional significativo ou de outros sintomas.

Alguns exemplos são:

  • ansiedade intensa;
  • sintomas depressivos;
  • alterações importantes do sono;
  • impulsividade acentuada;
  • uso problemático de álcool ou outras substâncias;
  • mudanças significativas de comportamento;
  • pensamentos relacionados à morte ou ao suicídio.

A avaliação realizada por um psiquiatra permite investigar o quadro de forma ampla, identificar possíveis transtornos associados e definir um plano terapêutico individualizado.

Quando existe indicação de medicamentos para alguma condição associada ou para situações específicas, a decisão precisa ser feita pelo médico após avaliação individual.

Medicamentos não devem ser utilizados por conta própria.

Psicólogo e psiquiatra podem trabalhar juntos?

Sim.

Psicologia e Psiquiatria não são tratamentos concorrentes.

Em algumas situações, o acompanhamento conjunto permite abordar diferentes aspectos do problema.

Enquanto a psicoterapia trabalha pensamentos, emoções, comportamentos, gatilhos e estratégias de mudança, a avaliação psiquiátrica pode investigar condições clínicas associadas e a necessidade de outros recursos terapêuticos.

A escolha depende das necessidades de cada paciente.

É possível parar de apostar?

Sim.

Problemas relacionados às apostas possuem tratamento e recuperação é possível.

Mas a recuperação não precisa ser entendida apenas como conseguir ficar alguns dias sem entrar em uma plataforma.

Um processo mais consistente envolve compreender:

  • por que a pessoa apostava;
  • quais situações aumentam a vontade de jogar;
  • quais pensamentos aparecem antes das apostas;
  • como lidar com perdas anteriores;
  • como criar barreiras contra novos episódios;
  • como reorganizar as finanças;
  • como retomar atividades e relacionamentos;
  • como agir diante de uma eventual recaída.

Também podem ser adotadas medidas práticas, como:

  • remover aplicativos de apostas;
  • desativar notificações;
  • evitar acompanhar promoções e conteúdos que funcionem como gatilho;
  • criar barreiras ao acesso ao dinheiro;
  • conversar com alguém de confiança;
  • buscar suporte profissional;
  • utilizar mecanismos de autoexclusão.

Uma recaída não significa automaticamente que todo o progresso anterior foi perdido.

Ela pode ser utilizada no tratamento para identificar quais fatores contribuíram para o episódio e quais estratégias precisam ser fortalecidas.

Autoexclusão: uma ferramenta para quem deseja parar de apostar

Além do acompanhamento profissional, existe no Brasil uma ferramenta que pode ajudar pessoas que desejam interromper o acesso às plataformas.

A Plataforma Centralizada de Autoexclusão, disponibilizada pelo Governo Federal, permite solicitar voluntariamente o bloqueio do acesso às plataformas de apostas autorizadas.

De acordo com o Ministério da Saúde, a solicitação pode:

  • bloquear contas ativas em plataformas autorizadas;
  • impedir a abertura de novas contas vinculadas ao CPF cadastrado;
  • interromper o envio de publicidade direcionada pelas empresas de apostas.

Essa pode ser uma importante barreira de proteção.

Entretanto, quando já existe perda de controle, sofrimento emocional ou consequências importantes, bloquear as plataformas não necessariamente resolve os fatores que contribuíram para o problema.

Por isso, a autoexclusão pode fazer parte de uma estratégia de cuidado, mas não substitui avaliação e acompanhamento profissional quando eles são necessários.

Como a família pode ajudar uma pessoa com vício em apostas?

Familiares muitas vezes percebem as mudanças antes mesmo de a própria pessoa reconhecer a gravidade da situação.

Podem aparecer comportamentos como:

  • pedidos frequentes de dinheiro;
  • dívidas sem explicação;
  • uso excessivo do celular durante eventos esportivos;
  • irritabilidade;
  • isolamento;
  • mentiras;
  • mudanças repentinas no padrão financeiro;
  • preocupação constante com resultados de jogos.

Nessas situações, humilhações e confrontos agressivos tendem a dificultar o diálogo.

É mais útil falar sobre fatos concretos e demonstrar preocupação.

Em vez de:

“Você acabou com tudo porque é viciado.”

Uma abordagem pode ser:

“Percebi que as apostas estão causando dívidas e que você tem tentado parar sem conseguir. Estou preocupado e acho importante procurar ajuda.”

A família também pode precisar de orientação e apoio.

Ajudar não significa pagar continuamente as dívidas

Esse ponto é importante.

Apoiar alguém que enfrenta problemas com apostas não significa necessariamente assumir repetidamente as dívidas causadas pelo jogo.

Quando os prejuízos são quitados sem que exista mudança no comportamento, a pessoa pode acabar recebendo indiretamente condições para continuar apostando.

Orientação psicológica pode ajudar familiares a estabelecer limites e compreender como oferecer suporte sem manter o ciclo.

Vício em apostas tem atendimento pelo SUS?

Sim.

Pessoas com problemas relacionados a apostas podem procurar atendimento na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde (SUS).

O acolhimento presencial pode começar em uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

Quando existe necessidade de atenção especializada em saúde mental, o paciente pode ser encaminhado para serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

O Ministério da Saúde também disponibilizou recursos relacionados a apostas no Meu SUS Digital, incluindo avaliação de risco e possibilidades de encaminhamento para atendimento.

Esses recursos ampliam as possibilidades de acesso ao cuidado, tanto para a própria pessoa quanto para familiares afetados pelo problema.

Quando procurar ajuda profissional?

Não é necessário esperar perder todo o dinheiro ou chegar a uma situação extrema.

A busca por ajuda já pode ser considerada quando a pessoa:

  • tenta parar e não consegue;
  • aposta mais do que pretendia;
  • esconde o comportamento da família;
  • acumula dívidas;
  • utiliza dinheiro destinado a necessidades importantes;
  • sente culpa ou vergonha depois de apostar;
  • fica ansiosa ou irritada quando não pode jogar;
  • compromete trabalho, estudo ou relacionamentos;
  • aposta repetidamente para recuperar perdas;
  • percebe que grande parte do seu dia gira em torno do jogo.

Quanto mais cedo o comportamento problemático é identificado, maiores são as possibilidades de evitar que seus impactos financeiros, emocionais e familiares aumentem.

Psicólogo ou psiquiatra: qual profissional procurar?

Essa é uma dúvida bastante comum.

Não é necessário ter certeza sobre qual profissional procurar antes de pedir ajuda.

Psicólogo

O psicólogo pode trabalhar diretamente comportamentos, pensamentos, emoções e gatilhos relacionados às apostas por meio da psicoterapia.

Também pode ajudar no desenvolvimento de estratégias para mudança de comportamento e prevenção de recaídas.

Psiquiatra

O psiquiatra é médico e pode avaliar o quadro de saúde mental de maneira clínica, investigar a presença de transtornos associados e indicar o tratamento adequado.

E quando os dois são necessários?

Dependendo do caso, Psicologia e Psiquiatria podem atuar de maneira complementar.

O mais importante é não deixar que a dúvida sobre qual profissional escolher se transforme em motivo para continuar adiando a procura por ajuda.

Uma avaliação inicial pode ajudar a definir o caminho mais adequado.

Perguntas frequentes sobre vício em apostas

Vício em apostas é uma doença?

O transtorno do jogo é reconhecido internacionalmente como um transtorno decorrente de comportamento aditivo.

O diagnóstico, porém, não deve ser feito apenas porque uma pessoa realizou apostas ou perdeu determinada quantia. É necessário avaliar o padrão de comportamento, a perda de controle e os prejuízos provocados.

Bets podem viciar?

Nem todas as pessoas que utilizam plataformas de apostas desenvolvem transtorno do jogo.

Entretanto, características como disponibilidade constante, apostas em tempo real, publicidade, bônus e rapidez entre uma aposta e outra podem contribuir para comportamentos problemáticos em pessoas vulneráveis.

Como saber se estou ficando viciado em apostas?

Dificuldade para parar, aumento dos valores apostados, tentativa constante de recuperar perdas, mentiras sobre as apostas, dívidas e abandono de outras atividades estão entre os principais sinais de alerta.

A avaliação de um profissional de saúde mental é importante para compreender a gravidade da situação.

Como parar de apostar?

Não existe uma única estratégia adequada para todas as pessoas.

Algumas medidas podem ajudar, como interromper o acesso às plataformas, utilizar mecanismos de autoexclusão, bloquear publicidade e notificações, limitar o acesso ao dinheiro relacionado às apostas e buscar apoio profissional.

Quando existe perda de controle, tratamento psicológico e, quando indicado, acompanhamento psiquiátrico podem ser necessários.

O vício em apostas tem tratamento?

Sim.

Existem intervenções psicológicas específicas e estratégias de suporte utilizadas no tratamento dos problemas relacionados às apostas.

O tratamento deve considerar a gravidade do quadro e as necessidades de cada pessoa.

Psicólogo ajuda a parar de apostar?

Pode ajudar.

A psicoterapia pode identificar gatilhos, trabalhar pensamentos e comportamentos associados ao jogo e desenvolver estratégias para prevenir novas apostas e recaídas.

Psiquiatra trata compulsão por apostas?

O psiquiatra pode avaliar pessoas com transtorno do jogo e investigar condições de saúde mental que aparecem simultaneamente.

Dependendo do caso, o acompanhamento pode ocorrer em conjunto com a psicoterapia.

A pessoa precisa perder muito dinheiro para procurar tratamento?

Não.

A gravidade do problema não depende apenas do valor perdido.

Mesmo perdas consideradas pequenas podem representar um prejuízo significativo dependendo da situação financeira da pessoa.

Dificuldade de controlar o comportamento e impactos na saúde mental, nos relacionamentos e na rotina também são aspectos importantes.

É possível ter recaída depois de parar?

Sim.

Recaídas podem acontecer em transtornos relacionados a comportamentos aditivos.

Quando isso ocorre, é importante analisar quais situações funcionaram como gatilho e fortalecer as estratégias de prevenção, em vez de simplesmente abandonar o tratamento.

Não espere o problema aumentar para procurar ajuda

O comportamento compulsivo relacionado às bets pode começar de maneira silenciosa.

Uma aposta ocasional passa a acontecer com mais frequência.

Depois surgem tentativas de recuperar perdas, aumento dos valores, ansiedade, culpa e dificuldade para contar às outras pessoas o que está acontecendo.

Quando as apostas começam a interferir nas decisões, nas emoções, nas finanças ou nos relacionamentos, é importante olhar para a situação como uma questão de saúde que merece atenção.

Na Clínica Acor, você encontra atendimento em Psicologia e Psiquiatria para cuidar da saúde mental de maneira individualizada e acolhedora.

Se as apostas estão causando sofrimento, dificuldades financeiras ou interferindo na sua rotina e nos seus relacionamentos, procure ajuda profissional.

A Clínica Acor está localizada na região da República, no centro de São Paulo, e conta com opção de agendamento pela internet.

Cuide da sua saúde mental

Reconhecer que alguma coisa saiu do controle pode ser difícil, mas não é necessário esperar a situação chegar ao limite para buscar orientação.

Uma avaliação profissional pode ajudar a compreender o que está acontecendo e indicar as estratégias de tratamento mais adequadas para cada pessoa.

Agende uma consulta com a equipe da Clínica Acor.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Gambling. Informações sobre transtorno do jogo, impactos das apostas na saúde e estimativas globais.
  • Ministério da Saúde. Campanha Nacional de Prevenção aos Danos das Apostas Online e orientações sobre atendimento em saúde mental no SUS.
  • Ministério da Saúde / Rede de Atenção Psicossocial. Orientações sobre acolhimento de pessoas e familiares afetados por problemas relacionados às apostas.
  • National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Gambling-related harms: identification, assessment and management — Guideline NG248. Publicada em 2025.
  • Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças — CID-11: transtornos decorrentes de comportamentos aditivos.

Aviso de isenção de responsabilidade: este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e educativa e não substitui consulta, avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por um profissional de saúde.

Em caso de risco imediato, tentativa de suicídio ou risco de a pessoa ferir a si mesma ou terceiros, procure um serviço de emergência ou acione o SAMU pelo telefone 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188.

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